Imprensa

Revista Made in Japan edição especial

Comemoração do Centenário Brasil-Japão 18/06/2008


O chado ou caminho do chá é um ritual feito para servir o chá verde para convidados. A cerimônia que dura cerca de quatro horas vai muito além do preparo da bebida.

Todo o processo requer muita concentração. No Japão, a bebida veio da China por volta do século 9 e consumida, a princípio por monges e nobres. A cerimônia do chá foi mais amplamente divulgada no Japão por mestres como Sen no Rikyu, no século 16. vinculada ao zen-budismo. No Brasil, a prática foi trazida em 1954 pela família Takeda, que fundou o Centro de Chado Urasenke, em São Paulo.  Em janeiro, a associação promove o Hatsugama o primeiro cerimonial do ano.

Mestres e praticantes disseminam a cultura japonesa ao Brasil
O respeito às raízes e a harmonia com a natureza são tão fortes na tradição japonesa que nem sempre é preciso colocar em palavras. Esses conceitos estão naquilo que os olhos não vêem: na delicadeza do ikebana, no cuidado com um bonsai ou na energia do shiatsu. Os brasileiros que captaram esse espírito, desenvolveram profunda admiração. Até a língua japonesa, tão diferente do português, começa a ser estudada e compreendida. Leia depoimentos completos e mais informações na edição especial dos 100 anos de imigração da Made in Japan.

Chado: “O que mais me impressiona é a beleza dos movimentos delicados e a calma transmitida. Sou muito agitada, então as aulas me deram mais paciência. No chado, temos que repetir várias vezes um movimento com cuidado”.

Carmen Luci Vieira, 49 anos, aluna do Centro de Chado Urasenke do Brasil.

Nas quatro últimas edições estivemos entrevistando imigrantes japoneses que contribuíram no desenvolvimento cultural e econômico do País, contando um pouco de suas histórias e experiências vividas no solo brasileiro. Nesta semana, conversamos com pessoas que adotaram a filosofia oriental como forma de vivenciar mais de perto os valores desse povo. A profª. Carmen Luci Conti Vieira, a cirurgiã-dentista Marili Cecília Rodrigues Tanure Tricarico e seu filho Rodrigo Tanure Tricarico, estiveram na redação do Grupo 1 para falar sobre essa experiência. “Comecei a freqüentar os cultos na igreja messiânica do bairro da Liberdade, aos 13 anos, por influência de minha mãe, que se dedicava na época à arte da ikebana confeccionando arranjos florais. Fiquei encantada com os ensinamentos e a forma como recebiam as pessoas. A partir daí, me dediquei ao estudo da filosofia japonesa, tendo a oportunidade, inclusive, de viajar três vezes ao Japão”, conta a profª. Carmen. Com o conhecimento adquirido, se especializou em etiqueta japonesa e na arte de servir, dando aulas atualmente na Fundação Mokiti Okada, na Vila Madalena, onde também faz curso de ikebana “sanguetsu”, arte japonesa que tem como filosofia a simplicidade e harmonia, ensinamentos inspirados no filósofo espiritualista Mokiti Okada. Lembra a doutora Marili que há 6 anos passou a se dedicar ao estudo da ikebana por intermédio da profª. Carmen e de sua mãe, Carmen Hernandes Conti, que confeccionava os arranjos para seu consultório. “O objetivo da ikebana não é simplesmente embelezar, mas, sobretudo, harmonizar o ambiente, aguçando o sentimento de quem entra em contato com ela fazendo com que fique mais próximo de Deus”, explicou Marili, ressaltando que a ikebana sanguetsu tem ainda como filosofia procurar elevar a sensibilidade das pessoas na composição de arranjos florais captando a beleza e harmonia existente em cada flor. Segundo Carmen Luci, o estudo da cerimônia do chá, considerada a arte mais completa entre os japoneses, é muito importante para o aperfeiçoamento da ikebana. “Passei a me dedicar também ao estudo da cerimônia do chá porque vai ajudar a aguçar minha sensibilidade em relação à natureza e às pessoas”, afirma ela. No caso de Rodrigo Tanure (14 anos), sua experiência com o povo japonês começou em 2001, época em que fazia aulas de judô, aprendendo como filosofia a disciplina e o respeito ao próximo, ensinamentos estes, que vem aplicando em suas relações pessoais. “A filosofia oriental se define pela disciplina, que é a base para todas as realizações humanas. A partir daí, nasce o respeito pelo próximo”, define Rodrigo, que complementou seu aprendizado com o kumon (método de estudo para desenvolver aptidões). “O kumon ajudou muito na minha capacidade de raciocínio em disciplinas como matemática e física, por exemplo, levando a trabalhar melhor minhas habilidades.“A cultura japonesa se baseia na arte do ensinamento através da experiência de seus antepassados. E nós ocidentais, temos tido a oportunidade de vivenciar essa cultura tão grandiosa”, completou Rodrigo. Oziete Trindade


Entrevista a Rede Globo de Televisão


Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

You are commenting using your Facebook account. Sair / Alterar )

Connecting to %s